Coluna Sexify: a COP23 e seus reais protagonistas

Coluna Sexify: a COP23 e seus reais protagonistas

Não podia faltar uma foto oficial no estilo sexify.

 

Nas últimas três semanas eu estive imersa em um mundo chamado conferências internacionais de clima, mais precisamente COP23.  A COP é o espaço oficial de negociação das pautas climáticas das Nações Unidas e todo ano é sediada por um país diferente. Este ano a COP foi presidida por Fiji, uma pequena ilha do pacífico, mas por questões de estrutura a cidade que hospedou o evento foi Bonn, onde fica a sede da Convenção de Clima das Nações Unidas, na Alemanha.

Eu poderia falar das horas intermináveis de negociações ou do clima tenso que norteou a primeira COP pós o anúncio da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, novo marco regulatório de clima que foi fechado em 2015, durante a COP21. A COP23 foi marcada pelos detalhes e pelo teor técnico. Foram duas semanas para sentar e acertar pautas que serão importantes para 2020, que é quando tudo realmente começa a valer. E aí entram todos aqueles termos e acrônimos super formais que caracterizam qualquer espaço internacional.

Tivemos a presença da chanceler alemã Angela Merkel, do presidente francês Emmanuel Macron e de muitos outros líderes e personalidades. Mas hoje eu vim falar aqui de quem realmente importa nesse processo todo: a sociedade civil e principalmente a juventude ali presente.

 

Esse ano eu participei de um processo seletivo do GSS – Global South Schoolarship, financiado pelo governo alemão, e que tinha como objetivo aumentar a participação de jovens de países em desenvolvimento nesses processos internacionais.  Foram mais de 1.300 inscrições para apenas 25 vagas e eu tive o prazer de fazer parte deste grupo final que levou para a Alemanha as demandas de uma parcela de jovens geralmente não representada nas COPs.

No primeiro dia em Bonn eu fui direto para um hostel que foi praticamente todo reservado para os participantes da COY – conferência mundial de jovens sobre clima – e aí eu olhei pro lado já sabendo que eu viveria dias incríveis com aquelas pessoas. Foram mais de 1.300 de mais de 100 países diferentes juntos por uma só causa, pelo bem comum. Essas pessoas são líderes em suas comunidades e em suas organizações, traduzindo em ações reais o que é discutido nestas conferências internacionais. Eles levam o global para o local e vice e versa. Nem preciso dizer que é muita inspiração por metro quadrado.

Eu tive a oportunidade de conhecer a Ana, de Manaus, que trabalha no Engajamundo e que era capaz de fazer reuniões intermináveis e cansativas parecerem brincadeira com um só sorriso. Conheci também o Ryan, ativista norte-americano da SustainUs, que é dono de uma energia tão contagiante e que conseguia resgatar – apesar de toda burocracia que aquele espaço de negociação carregava – a humanidade e o real sentido de estarmos ali. E por fim conheci outra versão minha. Aprendi, do outro lado do oceano, que empatia também é lutar por uma causa e pelo futuro das gerações que estão por vir sem esperar nada em troca.

 

Avanços foram feitos. O GAP (Plano de Ação de Gênero) foi aprovado e conseguimos, por meio de muita articulação da juventude, colocar termos importantes na pauta relacionada à educação. Foram reuniões com pontos focais dos países e muitas horas mal dormidas que viabilizaram todos estes avanços.

YOUNGO – Espaço oficial da juventude dentro da COP

Enquanto eu escrevo as memórias desses dias continuam surgindo e junto com elas eu tenho só uma certeza: somos a geração que tá mudando, mesmo que aos poucos, o mundo. Eu sempre digo que meus heróis são meus amigos, que estão nessa batalha que muitas vezes é como enxugar gelo. Eu olho pro passado e consigo visualizar o futuro que estou ajudando a criar. E não existe sensação melhor que essa.

 

A Alícia de 16 anos não sabia que aquele primeiro ato de engajamento se transformaria em uma luta para vida toda. Essa COP me lembrou do quão difícil foi – e é – esta estrada, mas também me mostrou que cada passo valeu a pena.

Alícia Amancio, 20 anos.

Acadêmica do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina e integrante do coletivo Clímax Brasil. Engajada nas causas ambientais e desde muito nova anda por esse mundo mostrando que a juventude é parte da solução.

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