Ela veio quente. #Coluna sexify by Alicia

Ela veio quente. #Coluna sexify by Alicia

Quando me vi, aos 16 anos, dentro de uma conferência internacional das Nações Unidas eu tive a sensação de ter encontrado algo que me instigava tanto a ponto de tornar aquilo minha prioridade. Pouco tempo depois recebi o rótulo de ativista ambiental – ou ecochata – e descobri o quão entediante e complexo aquilo poderia ser. Adotei o sexify como estilo de vida, que nada mais é do que simplificar temas chatos e torna-los mais atraentes para o meu público: os jovens. E nada melhor do que sensualizar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Ela veio quente diz muito sobre quem eu sou enquanto jovem e agente de mudança.

Moças No Clima (01/08)

Que o clima está mudando todos sabemos. Mas e se eu te disser que a igualdade de gênero e o combate às mudanças climáticas caminham juntos?

O que poucos sabem é que as mulheres fazem parte do grupo de pessoas mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global. Isso acontece pois constituímos a maioria das pessoas pobres do mundo. E como tudo gira em torno de capital, quanto mais pobre, mais vulnerável.

Se uma catástrofe natural acontecer hoje, mulheres e crianças terão 14 vezes mais chances de morrer!

Em muitos países as mulheres não têm direito algum sobre as propriedades e os recursos da família, e quando algum desastre acontece elas são obrigadas a recomeçar suas vidas com praticamente nada.

A cidade de São Paulo registra picos de poluição de ar diariamente e estudos já comprovam que doenças respiratórias como a asma estão cada vez mais frequentes. Quando a criança adoece quem é responsável pelo seu cuidado quase nunca é o pai, e sim a mãe, diminuindo assim sua produtividade.

Já no continente africano é muito comum ver mulheres carregando lenha e percorrendo distâncias absurdas em busca de água. E quando o período de seca chega – o que se torna cada vez mais recorrente – as mulheres precisam caminhar distâncias ainda maiores, se expondo ao perigo de serem assaltadas e até mesmo de sofrerem assédio sexual.

Nas enchentes que acontecem anualmente no sul do país um relato frequente é o de mulheres grávidas que se viram obrigadas a tomar água de fontes duvidosas.

É difícil parar pra pensar em todas essas possibilidades quando moramos em uma cidade grande. Mas esse problema poderia ser mitigado se as mulheres recebessem tanto quanto os homens, sendo o fator financeiro o principal responsável por esta vulnerabilidade.

Eu me recordo que no ano de 2014 eu estava no Peru participando da COP20, a Conferência de Clima das Nações Unidas, e que durante uma das plenárias principais eu olhei ao meu redor e vi que a maioria dos negociadores e dos cientistas presentes eram homens. A vulnerabilidade feminina começa quando não somos estimuladas a sermos cientistas e a assumirmos posições de poder.

Um ano depois, na COP21, eu tive o prazer de viver um momento histórico: ver ao vivo o Acordo de Paris ser fechado com êxito tendo como chefe da convenção de clima Christiana Figueres, uma mulher latina.

Hoje, tanto dentro como fora do Brasil, temos como protagonistas de movimentos que representam a sociedade civil mulheres jovens, mostrando que não somos apenas parte do problema, mas também a solução.

Temos que nos empoderar, assumir os lugares onde as decisões são tomadas e jamais esquecer que o clima pode estar quente, mas nós estamos fervendo.

Alícia Amancio, 20 anos.

Acadêmica do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina e integrante do coletivo Clímax Brasil. Engajada nas causas ambientais e desde muito nova anda por esse mundo mostrando que a juventude é parte da solução.

 

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