Por um mundo com mais hortas

Por um mundo com mais hortas

Confesso que a entrada da nova estação me inspirou a escrever sobre hortas. Porém, sempre é tempo de começar ou recomeçar a sua. Mesmo em pequenos espaços é possível construir uma horta, e na web está cheio de dicas.

Esta é uma ótima maneira de atuar em prol do ODS 2 – Fome e Agricultura Sustentável; e ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis. Outra maneira de aderir ao consumo consciente de hortaliças é adquirir alimentos de pequenos produtores familiares ou até mesmo de alguma horta comunitária perto de sua casa ou na sua cidade. Existe até mesmo plataformas online para isso, como por exemplo o Plante Pra Mim, uma plataforma online criada com o objetivo de aproximar agricultores orgânicos e cidadãos, fornecendo informações e acesso aos agricultores mais próximos.

Felizmente, a cada ano, crescem os movimentos de hortelões urbanos que propõem soluções para difundir e ensinar as pessoas a criarem o hábito de plantar o seu próprio alimento.

Empresas, escolas, universidades, e até o poder público tem promovido ações educativas de apoio ao cultivo de alimentos em espaços desocupados como terrenos abandonados, praças, estacionamentos e terraços de edifícios.

A construção de hortas dentro da comunidade na qual você vive é uma forma de conhecer melhor os seus vizinhos, compartilhar conhecimento, revitalizar o uso de algum espaço vazio, e mudar a maneira de produzir e consumir comida.

Além de facilitar o acesso a alimentos frescos e saudáveis, os impactos das hortas geram uma lista de benefícios para a sua saúde e a saúde do planeta.

As hortas também são grandes aliadas ao combate do desperdício de alimentos, pois além de diminuir o impacto do transporte de hortaliças, que hoje se baseia em um complexo mecanismo entre produção, transporte e distribuição com perdas significativas em todo o caminho, é possível e totalmente viável compostar o seu resíduo orgânico nutrindo seus próprios alimentos, e sem nenhum tipo de agrotóxico.

Dessa maneira, podemos reduzir parte do lixo de natureza orgânica encaminhado para os aterros das cidades, que quando descartados com outros resíduos produzem o chorume, que contamina o solo e proliferam doenças. Esse mesmo líquido, se feito o processo de compostagem, pode se transformar no melhor nutriente possível para uma horta, também chamado de biofertilizante.

Plantar em lotes urbanos é uma ótima estratégia de combate a insegurança alimentar, ao desperdício de alimentos, fortalecimento da comunidade e melhoria na saúde da população.

Colher o que você mesmo cultivou durante meses traduz o verdadeiro significado de se conectar com a natureza. Nos faz refletir de como nosso corpo é diretamente ligado a ela.

Por isso, repensar a forma de consumo dos alimentos e adotar novos hábitos é uma atitude excepcional e transformadora, não só para você, mas para o planeta e as futuras gerações.

E para quem cozinha, assim como eu, sabe que colher alimentos frescos e utilizá-los nos preparos é a garantia de comida de qualidade, saudável e com sabores muito mais intensos.

Portanto, mãos à horta!

 

 

Foto: flores.culturamix.com

 

Miguel Leiria Neto

Formado em Gastronomia pela Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE. Líder no projeto Sabor de Sobra e ministrante das oficinas de eco-gastronomia realizadas pelo projeto. Cozinheiro líder no Restaurante Escola do Departamento de Gastronomia da Univille. Membro do convívio Dona Chica do Movimento Slow Food, Co-fundador da Santa Xepa e Co-fundador da startup Sustenta – Soluções Sustentáveis em Alimentação.

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